Sexta-feira, Janeiro 29, 2010

SÓ QUERO SER TRATADO COM DIGNIDADE

Caríssimos este texto é um pouco extenso, mas por favor tenham paciência e acompanhem-me até ao fim…

Desabafo de um Enfermeiro:

“(..)Como Enfermeiro, estive hoje de greve assegurando cuidados mínimos.

 Revejo-me integralmente nas reivindicações da classe. Mas pergunto-me
como as outras pessoas vêm a nossa classe, a nossa profissão, a nossa
posição na sociedade. Será que não seremos o parente pobre de um
sistema de saúde que só tem olhos para outros interesses…
Sou licenciado. Ganho como bacharel ou nem isso. Deveria fazer 140h
por mês e trabalho 160 ou mais. Não recebo nada por essas horas a
mais, acumulando horas. Tenho colegas com quase 200h positivas, ou
seja, 200 horas que prestaram serviço de qualidade e que não viram
compensado o esforço, e porque não dizê-lo, dedicação à causa pública,
fazendo os possíveis todos os dias para não faltar nada em termos de
cuidados de enfermagem.
Essas 200 horas deveriam ser pagas como extraordinárias, ou melhor
ainda, deveriam ser realizadas por um dos 5mil enfermeiros que
actualmente não tem emprego. No meu serviço devem-se mais de 2000h. No
meu hospital há uns dezenas de serviços e a média é nalguns casos
superior.
 Devem-se no país, talvez um milhão de horas de cuidados. O que daria
trabalho a mais 7000 Enfermeiros.
E já nem estou a falar no aumento do numero de enfermeiros por cada
turno, senão o número teria de ser ainda maior. No meu serviço, para
32 doentes, podem estar apenas 2 enfermeiros de serviço. E ao
contrário do que por vezes pensamos (os enfermeiros pensam) só temos 2
mãos, 2 olhos, 2 pernas e 1 cabeça. E não somos omnipresentes.
 Sou contratado há mais de 4 anos, trabalhando um pouco à margem da
lei com contratos de 6 meses ‘miraculosamente’ renovados. Mas será que
algum dia deixarão de precisar realmente dos enfermeiros para termos
um contrato tipo ‘hipermercado’ ou pior?
 Depois, nestes 4 anos vi o meu ordenado ser aumentado pouco mais de
40€, ou seja 10€ ano. Não subi nenhum escalão, grau, etc, porque
simplesmente não há carreira de enfermagem definida, e como contratado
a coisa complica-se. Qual é o meu estímulo todos os dias? Apesar de
ainda adorar o que faço, trabalho porque preciso dos €€€€. É
frustrante pensar que todos os anos ao contrário do que deveria ser,
ganharei menos. Deveria ganhar como licenciado e ganhar horas extras
se me fossem exigidas.
Eu que ganho 6,5€ à hora, bem menos que alguns funcionárias da limpeza
(sem desprimor para o seu trabalho), não me pagam horas extra. Mas
pagar 2500€ por 24h de um médico, já é moralmente e legalmente
aceite.Deixemos de ser hipócritas. Sou mal pago. Sinto todos os dias
na pele, o peso e o risco desta profissão, que não é dar injecções e
medir tensões. Está redondamente enganado quem dessa forma pensa.
Somos um elo central nas relações clínicas, um peça chave. Quem esteve
internado e já precisou de nós saberá a tudo o que me refiro.
Formação adicional é sempre condicionada pelos serviços e
instituições, num país que quer ter miúdos com computadores por todo o
lado, num país em que se não formos doutores não somos ninguém, mas
apelar a uma formação contínua, tendencialmente gratuita, é só para
outras classes. A qualidade afinal é para outros verem. O doente que
se trame.
 Se tenho um curso de suporte básico de vida, devo-o a mim. 200€ e tem de
 ser renovado em 2-3 anos.
 Se tenho um curso de suporte avançado de vida, devo-o a mim. 400€ e
 renovado em 2-3anos.
Se quero ser especialista, terei de ter pelo menos mais 6000€ de propinas
para pagar. E depois, esperar que me aceitem numa instituição, que abram
concursos, que se desbloqueiem verbas, etc. Um médico depois de médico
 torna-se especialista praticamente sem ir à escola em 6 anos. A prática é
 quase tudo. Nós seremos muito diferentes?
 Se quero tirar uma pós-graduação ou mestrado, arrisco-me a queimar as
 pestanas e tirar tempo à família, não esquecendo mais 3000€ ou 6000€ de
 propinas. Em troca recebo mais 0€ ao fim do mês. É isto
 um estímulo ao desenvolvimento? É assim que a profissão está. É assim que
 nos sentimos.”

 

Este colega explica bem a descriminação e a dualidade de critérios que existe no governo da República Portuguesa… No entanto nada consegue explicar a Raiva que andamos a sentir ao longo destes últimos anos.

Mas pior que tudo, pior que esta “espécie de governo”, é a imcompreensão por parte da população. A maioria da população não sabe o que é ser Enfermeiro, não sabe o que fazemos, a responsabilidade que temos, e principalmente o que sofremos com o nosso trabalho, seja a nível mental, emocional e acima de tudo fisicamente.

Falam dos professores agredidos pelos alunos, mas não falam dos Enfermeiros agredidos pelos doentes ou pelos familiares. Falam da responsabilidade de um gestor, mas não falam das vidas que todos os dias estão à responsabilidade dos Enfermeiros (que muitas vezes têm de corrigir os erros dos outros), mesmo segundo alguns iluminados incultos incompetentes e analfabetos que dizem que não temos formação ou competência para… A esses eu digo P’O CARALHO… Eu estudei mais de 4 anos, especializei-me ou “pós graduei-me” (embora nao seja reconhecido), e estudo todos os dias só porque me apetece… Quantas vidas já não salvei só por ter corrigido a imcompetência de profissionais de outras classes (não só médicos)?! E isso obviamente fiz sem competência ou conhecimento…

Abram os olhos e tentem saber quem somos… Tratem-me com dignidade…

Sra Bastonária: não chega tomar posição mostre quem somos.

Publicado por Gato em 18:29:47 | Link | Comentários (2)

Terça-feira, Dezembro 15, 2009

Obrigado

“alguem uma vez me disse que ser amigo de alguem é ter coragem de conhecer o melhor e o pior dessa pessoa, e guardar esse pior, por mais pesado que seja no silencio do nosso coraçao”

Está na altura de agradecer aos meu amigos que, escondendo os meus defeitos,me levaram “ao colo” nestes últimos 6 meses. Aturaram o meu mau feitio, que de facto ficou ainda pior, fizeram as escalas, fizeram-me ou trocaram-me os turnos, mantendo-me longe (mas sempre perto). Deram-me as mãos e ajudaram-me a realizar sonhos…

De facto os amigos fazem mover o mundo… Terei eu a capacidade para responder pelo menos na mesma medida?

 

 

Publicado por Gato em 14:15:25 | Link | Comentários (3)

Sábado, Outubro 3, 2009

Sará saudade?

Tenho saudades de ser quem sou…

Tenho saudades dos dias em que tudo era fácil, em que a vida corria perpetuamente, e as preocupações se diluíam no tempo infinito.

Tenho saudades do tempo em que as máscaras da “responsabilidade” e do “estatuto” não tapavam a minha cara, e tudo o que fazia era realmente o que eu queria fazer.

Tenho saudades da solidão amiga que me acompanhava quando corria matos e montes da “minha terra”, onde árvores e animais me mostravam o caminho e os seus segredos.

Tenho saudades de atravessar campos e pomares a roubar pêssegos, maçãs ou uvas…

Tenho saudades do que não vi na minha infância, mas sempre me acompanhou…

Tenho saudades da sombra da Penha nas tardes quentes de Verão e do cheiro doce dos pinheiros nas Primaveras na Póvoa…

Tenho saudades das Paixões de Coimbra… Das alegrias e tristezas, mas principalmente do sabor agridoce que deixaram…

Tenho saudades das noites de bebedeira, sem preocupações e sem prisões…

Tenho mesmo saudades de ser quem sou…

Publicado por Gato em 22:07:28 | Link | Comentários (1) »

Sábado, Agosto 29, 2009

Homenagem aos que deram o sangue e a vida

Ora então mais um texto, e desta vez em jeito de homenagem.
Nos dias que hoje correm, em que a nossa sociedade cada vez se mostra mais descontente, e no entanto mantém-se burra e verga-se ao mandado de um Poder com pouca Lei e quase sem Ordem, fala-se muito dos Ex-Combatentes e da “Guerra do Ultramar”, dos horrores vividos e das atrocidades cometidas. No entanto este “falar” revolta-me… Dá-me Vómitos…
Reparem que 34 anos depois do seu fim continuam a existir desaparecidos em combate, apátridas (nativos que lutaram pela nossa bandeira, mas que nenhum dos lados assume como Cidadãos), cadáveres por recuperar para entregar aos familiares… muitas falinhas mansas e paninhos quentes… mas principalmente ficaram “Mães que não têm filhos”, “Filhos que não têm pais”, e como diz o fado “Viúvas de vivos mortos”…
Ao ver as imagens que passam na Tv, ao ler tudo aquilo que se escreve por pesoas que nunca por lá passaram (ou que lá estiveram de raspão), eu lembro o meu Pai e partilho convosco uma tristeza: a tristeza e a dor de ver um pai chorar. O choro de pânico quando te diz “vocês não sabem o que é matar para não morrer”… O choro de angústia quando vê a neta muito amada (de certeza que mais do que a própria vida), e lembra os que matou – provavelmente alguns que igualmente não tiveram tempo de crescer – e fica a revolta de alguém que perdeu os melhores anos da vida a lutar por algo que não era dele.
34 anos depois de voltar, continua a recordar todos os dias a terra que pisou, o cheiro da Morte, os que morreram e os que matou (10 ou 100, ninguém sabe). Continua a conhecer Mueda, o Sagal, o Planalto dos Macondes,… como se lá tivesse estado 2 horas antes…
Ás vezes dou por mim a pensar como seria se acontecesse comigo o que aconteceu com meu pai e outros como ele, e sinto pânico só de pensar em matar para não morrer. Eu não julgo e até compreendo o que quer que ele tenha feito para se manter vivo e salvar a vida de camaradas (e eu sei que salvou), mas há algumas coisas que eu não aceito e recuso a aceitar: a indiferença de um País perante aqules que defenderam a sua bandeira; a indiferença de governos sucessivos, que tentaram e tentam esconder a verdade; as falinhas mansas e os paninhos quentes; e principalmente o julgamento e a censura de pessoas que nunca estiveram numa situação comparável. Ninguém sabe o que é ter que lidar com a morte dos dois lados: matar (e ver morrer) e sobreviver olhando-A de frente.
Publicado por Gato em 14:06:11 | Link | Comentários Desligados

Quinta-feira, Agosto 13, 2009

Coimbra voltou a parar!

Amigos, tal como prometi, aqui vai um texto do meu “mano” António, que traduz também parte do meu sentimento… Ideologias à parte, a minha cidade está a morrer… e ninguém faz nada…

 

“Há uns dias, fiz uma coisa que há muito tempo não fazia. Fui comer uma francesinha ao Parque Verde tendo por companhia, a paz e a serenidade do Velho Mondego.

         Enquanto saboreava tão calórico jantar, alguns pensamentos começaram a surgir, como se estivesse naturalmente a “conversar” com o rio que banha a cidade que me viu nascer, que amo apaixonadamente e que ano após ano vejo ser tão mal tratada por executivos camarários que se dizem Conimbricenses de alma e coração, mas que lá no fundo estão apenas agarrados que nem lapas a um cargo e a uma família política.

         O meu primeiro pensamento foi mesmo para o Mondego. “Que belo rio temos!” Pensei. E tão mal aproveitado que está. Tirando a zona das “docas” que mais temos para oferecer aos turistas que por aqui passam? Porque não criar infra-estruturas para que mais zonas de restauração e lazer surjam nas margens do rio? Contra este pensamento surgiu na minha cabeça um outro. Neste momento temos um Presidente de Câmara que votou contra este espaço, e por isso é natural que não queira ter mais espaços como estes nesta cidade.

         Depois começaram a surgir outros tipos de questões. Coimbra foi rapidamente ultrapassada a vários níveis por cidades vizinhas e algumas até de menor dimensão. Continuamos a viver à sombra do estatuto de uma universidade, que por ano trás milhares de estudantes a Coimbra, sem nunca ninguém ter reparado que a Universidade de Coimbra há muito que foi ultrapassada por outras Universidades, mais novas, com cursos de futuro e com infra-estruturas mais modernas e em melhor estado de conservação.

         E ali continua o Velho Mondego na sua tranquilidade. Ele que foi fonte de inspiração para tantos estudantes que passaram por esta cidade.

         Em termos culturais, há muito tempo que fomos ultrapassados por uma cidade que apenas ganha vida no verão, a Figueira da Foz. A Figueira, com um Centro de Artes e Espectáculos, com uma programação cultural de qualidade e diversificada, consegue colmatar uma lacuna que esta cidade, dita de Doutores e Engenheiros, não tem nem habilidade nem engenho para o fazer. E o que é que os nossos dirigentes fazem? Nada. O nosso vereador da cultura veio alegremente, à uns meses atrás, apresentar a Rota das Tabernas/Tascas, um circuito pedonal que passa pelas mais tradicionais e emblemáticas tascas da cidade. (Na minha opinião muito bem feito! Mas só!!!!). O ano passado foi ver o Dr. Carlos Encarnação anunciar o tão desejado CAE em Coimbra, um projecto que iria colocar Coimbra no mapa cultural. Ao ler a notícia, percebe-se que o investimento era privado (1.000.000,00€) e qual era a participação da CM Coimbra no meio disto tudo? Ceder um terreno junto ao terreno onde iria começar a ser construída tão importante obra (supostamente era em 2009, bem juntinho à Av. Dr. Elísio de Moura), onde poderia ser construído um parque de estacionamento onde caberiam10!? Carros.

         Infelizmente, cada vez mais caminhamos para ser uma cidade de serviços.

A baixa morre a cada dia que passa, é um antro de droga e criminalidade. Conheço relatos de pessoas que, em dias de inverno e que saem dos seus trabalhos por volta das 19h, têm medo de se deslocar a pé pela R. Ferreira Borges e pela R. Visconde da luz. A baixa é cinzenta, suja e feia. Não temos a coragem de preservar aquilo que nos é mais tradicional.

Vejo empresas a fechar todos os dias, sem que ninguém faça nada para travar este problema. E quando alguém tem a coragem ou o empreendedorismo de abrir uma empresa em Coimbra, na Câmara Municipal só encontra dificuldades e obstáculos. Quando finalmente, e depois de muito esforço, conseguimos ter a nossa empresa a funcionar temos de levar, quase diariamente, com fiscais e policia municipal que vem sempre de caneta afiada e prontinhos a passar multas.

Temos um Iparque, que não é mais do que um rede de estradas e terrenos vazios, temos o parque de Eiras que só tem armazéns por ocupar e nada se faz para fixar empresas no concelho e todos os dias ouvimos casos de grandes grupos empresariais que foram para concelhos vizinhos.

Mas também não seria de esperar outra coisa, quando o nosso presidente de câmara tem a coragem de dizer em plenário que o problema do emprego no concelho nada tem a ver com o executivo camarário, mas sim com o governo. Entendo e compreendo que esta luta não é exclusivamente da Câmara, mas pelo menos nos impostos municipais a câmara tem o poder de alterar as condições e de tentar fixar grandes grupos industriais na cidade e no concelho.

O papel da Policia Municipal é o que me faz mais confusão. Recentemente, vieram-se gabar que tinham bloqueado dezenas de carros na Av. Dr. Elísio de Moura porque os carros estavam em cima do passeio. Bem sei que eles têm a lei do lado deles e até consigo compreender isso. O que eu não consigo compreender é porque é que apareceram na avenida às 7h da manhã? Bem, se calhar até consigo… Se eles tivessem chegado à avenida 1h ou 1:30h depois os carros bloqueados seriam muitos menos, porque as pessoas já teriam saído de casa para trabalhar ou levar os filhos às escolas. Teoria da Conspiração!? Talvez. Mas não é a câmara que manda na Polícia Municipal? As receitas dessas coimas não vão para os cofres da câmara, sendo posteriormente transferidos para os SMTUC? Quando questionado, o Dr. Carlos Encarnação, veio dizer que o problema da referida avenida é conhecido e que está a ser realizado um projecto para existir mais estacionamento, mas que a lei é para cumprir. Ora… Está-se mesmo a ver de quem partiu a ordem para ser feita aquela limpeza às primeiras horas da manhã, não está?

Já viste Mondego é assim que tratam os filhos que tu viste nascer nas margens desta cidade.

Mais recentemente andaram a colocar por algumas zonas da cidade um tapete novo nas estradas. Em ano de eleições é algo que não me espanta. Espanta-me sim, é das zonas onde foi realizado. Sou voluntário da Cruz Vermelha de Coimbra, condutor de ambulâncias e espanta-me que o alcatrão mais mal tratado da cidade seja o das estradas que dão acesso aos hospitais. Mas quando passamos na Auto-esttrada n.º1 é ver placas a dizer “Coimbra é capital da saúde”. Mais uma contradição.

Mais ainda me espanta, é que se dá mais importância a estes pequenos projectos, do que a outros que de certeza que poderiam trazer mais vantagens a Coimbra. Uma das muitas situações que eu gostava de que o Dr. Carlos Encarnação me explicasse é o porque de o projecto de transformar a velhinha estação de Coimbra-B numa Gare ficou congelado durante 8 anos? Será que é pelo facto de ser um projecto do anterior executivo PS? E outra situação que continuo à espera de ver resolvida é o que fazer com todas aquelas fábricas abandonadas, que apenas são antros de droga e abrigo de toxicodependentes, que se encontram entre a Av. Fernão de Magalhães e a estrada que passa colada ao rio? Pois, o anterior executivo PS também tinha um projecto muito giro para essa zona, mas também este foi abandonado, porque mais uma vez o que interessa não é o bem de Coimbra e dos conimbricenses, mas sim os interesses das famílias políticas que por aqui vão passando.

Já que falei na Av. Fernão de Magalhães, aqui fica mais uma das minhas muitas preocupações. (esta então já vem de há muitos anos atrás!) Porque é que ainda não houve um executivo camarário preocupado em resolver o trânsito nesta avenida?

Uma das últimas polémicas da cidade é o traçado do novo IC2 passar no meio do choupal. O IC2 é uma estrada nacional, e o Choupal também é uma mata nacional, portanto o estado só está a usar aquilo que é dele. Além disso, e a última vez que vi, já lá passa uma ponte ferroviária, certo? Na minha modesta opinião, acho que Coimbra não devia estar preocupada com uma ponte que vai passar no meio de uma mata que é utilizada pelos conimbricenses para as mais diversas práticas desportivas. Coimbra devia estar, isso sim, a exercer pressão sobre o governo para que, já que vai fazer obras na mata do Choupal, este fizesse uma limpeza na mata, que melhorasse as infra-estruturas desportivas, e até que criasse umas novas, uma vez que aquela mata é de vital importância para Coimbra e para as suas gentes. Mas mais uma vez, penso que aqui está a imperar a vontade da família política, uma vez que a associação que foi criada vai contestando o governo PS e não a coligação PSD/PP, que deveria estar a exercer pressão sobre o poder central deste país.

Mais recentemente, é já em pré-campanha eleitoral, é ver, mais uma vez, o candidato da coligação de direita á Câmara de Coimbra, vir criticar o traçado das linhas do Metro Mondego. Agora!? Depois de tantos anos, é que se lembraram e repararam que o metro poderá complicar o trânsito em algumas zonas da cidade? Ou será que não arranjaram outra maneira de criticar o candidato apoiado pelo PS? (É Presidente da Metro Mondego) Outra pergunta surge no meio destas todas. Será o executivo camarário uma contrariedade ao avanço de tão importante obra para a cidade, seus cidadãos e turistas?

Em jeito de resumo, ando cansado de ver a minha cidade mal tratada por interesses políticos. Sempre votei. E acredito na democracia, mas continuo à espera que um dia venha uma pessoa gerir esta cidade que ame Coimbra, que lute por ela e pelos seus cidadãos acima de qualquer outro interesse, cargo ou família!

E isto tudo se passa na tua cidade, velho Mondego!

António Gaspar “

Publicado por Gato em 21:22:45 | Link | Comentários (2)

Sexta-feira, Julho 10, 2009

Desespero…

Meus caros:
Nunca pensei dizer isto, nem sequer que o iria sentir, mas com alguns acontecimentos que surgiram de à alguns meses para cá eu afirmo com toda a certeza: Tenho nojo de ser Enfermeiro … Não porque não goste do que faço mas sim porque não suporto os poucos que mandam na minha profissão. Aqueles de quem já falei, e que volto a afirmar: matam a minha profissão.
Mas mesmo assim aprendi muito. Aprendi mais em 6 meses do que em 6 anos… E aprendi à minha custa, quando alguém que me devia defender decidiu atacar-me utilizando fundamentos que se explicam como mesquinhez. Não nego as culpas que possa ter, e quem me conhece sabe que um dos meus valores mais marcados é a Honra, e que assumo sempre o que faço, seja bom ou seja mau…
Mas neste momento tenho nojo de ser enfermeiro, e repudia-me a ideia de amanhã a esta hora estar numa determinada instituição que vive pela fachada, e só quem sofre todos os dias o que nós sofremos sabe dar valor aos milagres que fazemos num Inferno que eu acho por bem não nomear…
Mas como um dia alguém disse “o que não me mata torna-me mais forte”… O pior é que até ficar mais forte tenho que sobreviver ao “coma” da luta contra a maré e à convalescença de ser julgado por quem não me conheçe…
Tomarei decisões… Mas que decisões? Serei eu mesmo a tomá-las?
Então partilho convosco aquilo que aprendi, ao mesmo tempo que rezo para que não passem o que eu estou a passar:
“Se Deus te deu 2 orelhas e 1 boca foi para ouvir mais do que falas” (obrigado Hugo)
“Para se sobreviver (na referida instituição) não podes ser bom… Não podes ser inteligente… Diz-lhes que sim, faz o teu melhor, e continua a tua vida” (obrigado Dr. D.)
 - Amigo não é aquele que te pede desculpa quando te magoa sem querer. É aquele que te acompanha em tudo e tenta corrigir – esta aprendi sozinho…
 - O mais fodido que pode haver é quando tu e a tua Equipa remam contra a corrente e estão a conseguir… Mas aparece sempre uma puta de uma pedra que fura a canoa… Sempre… – também sozinho
 - “Mais vale cair em graça que ser engraçado”… Pois… Mas quando não cais em graça nem és engraçado pede tranferência de imediato – aprendi com as cabeçadas…
 - De facto a “luz ao fundo do túnel” não existe. Mas também não é uma miragem. Só sabes o que é quando o comboio te passa em cima. A hipocrisia pode ser confundida com a luz, com a esperança… Mas o que está por trás mata-te…
E por fim o mais importante: Não confies em ninguém… Em ninguém… Percorre o teu caminho sozinho…

Tenho pena de quem fica entregue a mãos como as que eu senti…

Publicado por Gato em 02:44:30 | Link | Comentários (2)

Sábado, Maio 30, 2009

Cansaço

“O que há em mim é sobretudo cansaço”

 

“O que há em mim é sobretudo cansaço

Não disto nem daquilo,

Nem sequer de tudo ou de nada:

Cansaço assim mesmo, ele mesmo,

Cansaço.

 

A subtileza das sensações inúteis,

As paixões violentas por coisa nenhuma,

Os amores intensos por o suposto alguém.

Essas coisas todas -

Essas e o que faz falta nelas eternamente -;

Tudo isso faz um cansaço,

Este cansaço,

Cansaço.

 

Há sem dúvida quem ame o infinito,

Há sem dúvida quem deseje o impossível,

Há sem dúvida quem não queira nada -

Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:

Porque eu amo infinitamente o finito,

Porque eu desejo impossivelmente o possível,

Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,

Ou até se não puder ser…

 

E o resultado?

Para eles a vida vivida ou sonhada,

Para eles o sonho sonhado ou vivido,

Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto…

Para mim só um grande, um profundo,

E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,

Um supremíssimo cansaço.

Íssimo, íssimo. íssimo,

Cansaço…”                      Álvaro de Campos

 

Amigos, num raro momento em que deambulava na “Internet”, deparei-me com este poema e decidi transcreve-lo…


Também eu estou cansado, e revejo-me completamente no sentimento do autor.

Estou cansado de tudo, e de todos, se bem que não poderia viver sem todos, nem mesmo sem algum…

Estou farto da hipocrisia que vejo (e se calhar da qual faço parte), e que tento combater.

Estou farto de ver as mesmas caras, sem as quais não consigo viver…

Mas acima de tudo estou farto do barulho… Do barulho da vida e do barulho da morte…

Estou farto de lutar, de combater (muitas vezes sozinho) sem conseguir ganhar seja a guerra ou a batalha.

Apetece-me alucinar e enlouquecer, mas não consigo… Uma realidade e a minha mente racional (ou irracional, quem saberá?…) não me deixam. Assim volto a analisar tudo mais uma vez, tirando sempre as mesmas conclusões… Conclusões que ninguém sabe compreender.

Escrevo e disperso-me no meu pensamento. Fico mais triste ainda pelos que estão à minha volta… Sem estarem cansados continuam felizes, e sorriem, e festejam… Mas deixaram de lutar. Deixaram de lutar por mim, mas acima de tudo deixaram de lutar por eles…

Lembro-me do “Manual do Guerreiro da Luz”, e daquilo que alguns dos meus Mestres me ensinaram: o segredo não é ganhar a Batalha, nem sequer ganhar a Guerra… o segredo é lutar… travar o “Bom Combate”…

Mas sinto-me cansado e angustiado… Farto da solidão, anseio não conhecer outra coisa sequer.

 

Publicado por Gato em 18:16:05 | Link | Comentários (3)

Segunda-feira, Maio 25, 2009

Contos de Guerra

Este texto é baseado em relatos que li, mas principalmente em relatos que me foram feitos na primeira pessoa por alguns Herois Esquecidos da Guerra Colonial Portuguesa. 
Desta maneira faço mais uma homenagem a todos os Herois Esquecidos que sofrem e mostram diáriamente as marcas de uma guerra.

Este deveria ser o melhor dia da minha vida, mas sinto-me mal… Sobrevivi…

Cumpri uma comissão de 1 ano numa guerra estranha que ninguém compreende. Cumpri o meu dever e lutei por ideais de Liberdade (ou pelo menos é isso que me dizem). O meu País e o Mundo agradecem…

Vim à boleia num avião de transporte militar dos EUA. Numa viagem de 8 horas ninguém falou… Ninguém a não ser uns quantos “marines” que rezaram baixinho quando o avião descolou. Não sei se por terem também sobrevivido ou por estarem com medo das voltas que o avião deu para evitar disparos de “rockets”. Foi uma viagem dura… Nestas oito horas revi todos os 13 meses que passei na guerra… Era o único que sobrava de um grupo de 50 homens de várias nações, que compunha um dos vários grupos especiais da Zona Operacional onde estava. Éramos 2 portugueses e um vinha também neste voo… Vinha numa “caixa de pinho” no porão do avião. Estava ele e mais uns quantos que não me atrevi a contar…

Cheguei a Lisboa de madrugada, no romper da aurora, tinham preparado uma pista só para nós. Cheguei eu e o meu camarada que ajudei a transportar… Recuso que um herói seja transportado por máquinas, e se tem uma escolta militar, ela que seja usada… Foi triste esse momento… Lembrei-me da emboscada em que ele tinha sido atingido, da camada de pó que comemos com a explosão da mina que o matou, das 2 horas que esperámos pela sua evacuação tentando tudo por tudo para o manter vivo, só porque alguém teve medo de perder um helicóptero…

Lutei com bravos e heróis… Nunca pensei que sendo enfermeiro (mesmo militar) tivesse que pegar em armas e matar… Nunca pensei mesmo que em determinada altura tivesse que comandar tropas em combate… Mas o que me custou mais foram os olhos da mãe e da noiva do meu camarada, olhos de desespero e raiva quando tiveram que ser agarradas para não baterem num idiota dum capitão que lhes disse que ele tinha morrido pela pátria… Pátria? Pátria é Portugal, não aquele maldito deserto empoeirado cujo nome nunca soubemos, tal era o secretismo da missão… E vem aquele emproado da Academia a dizer que “foi pela pátria”… Se pudesse dava-lhe um tiro…

Mas aqueles olhos… Um dia hei-de falar com a mãe, e dizer-lhe como o filho viveu… Não posso dizer-lhe como morreu, e também não vale a pena…

Agora bebo um café no Parque das Nações, e olho para o Tejo, um rio que sempre detestei, e parece-me o meu Mondego. Tenho saudades dele, mas tenho medo de voltar. Ando fardado por Lisboa e todos me olham de maneira diferente… Não sei se me admiram pelas “caricas “ que me puseram no peito, ou se têm medo pelas feridas que tenho na cara, e pelo cheiro a sangue que está entranhado em mim… Não o consigo tirar por mais que lave ou tome banho… Mal sabia eu o que me esperava quando me obrigaram a ir à Tropa. Já era enfermeiro e nunca pensei que fosse para “lá”… Mas eles estudaram bem o meu curriculum. Lá viram que por ter muita formação em socorro avançado e experiência em sobrevivência, era capaz de me safar… E safei… Mas 49 não tiveram tanta sorte… 49… Não morreram todos, mas socorri 49 irmãos, alguns deles feridos para me proteger. Éramos uns 7 ou 8 países diferentes, mas sempre vivemos como irmãos… E alguns morreram como tal… E para quê?

Tenho que fazer espólio, tenho que ir ao quartel, mas tenho medo. Agora tenho medo de muita coisa, até de dormir… Há mais de 4 meses que não durmo mais que 2 horas por noite. Os bombardeamentos à noite eram os piores. Lembro-me do camarada que substitui, e lembro-me do que ele disse “nós temos a tecnologia, mas eles… eles têm a psicologia”…

Começo a pensar no hospital em que trabalhava. Vou voltar para lá. Mas vou fazer o quê? O que vou dizer aos meus colegas quando me perguntarem o que me aconteceu, quando me disserem que estou diferente… E aos doentes quando me perguntarem que cirurgia fiz para ter a cara cheia de cicatrizes…

E a minha família? Não vou pensar na minha família… Tenho tempo… Tenho medo…

É engraçado… Não tenho medo de armas, ou tiros, ou da morte, ou seja do que for… Tenho medos das pessoas… A única coisa que não me metia medo quando parti…

Publicado por Gato em 03:01:46 | Link | Comentários Desligados

Sexta-feira, Maio 22, 2009

Contos de Amor

Ajeitou o cabelo com a mão, sempre a olhar para mim.

Envergonhada cumprimentou-me com dois beijos. Pediu café (algo estranho… ela nunca toma café), e começámos a falar de coisas triviais como o tempo, as aulas ou outra coisa qualquer.

         De repente fez-se silêncio. Um silêncio que durou alguns minutos e que ela interrompe_

         – Sabes que gosto de ti… Que estou apaixonada por ti…

Engoli em seco… Nunca ninguém me tinha dito isto desta forma…

         – Gosto da maneira como falas, da maneira como te ris… Gosto da tua presença…

         – Não digas isso.

         – Digo… Tu sabes que sim. Só se fores mesmo muito tapado é que não vez… E eu sei que tu vez…

         – Mas diz-me uma coisa… Afinal porque gostas assim de mim?

         – Não sei… já te disse gosto da maneira como falas, da maneira como te ris… Do respeito que toda a gente que te conhece tem por ti… Do teu saber, da tua presença… Não sei… Gosto e pronto…

         – Amiga tu não me conheces… Não sabes quem eu sou…

         – Quem disse? Se calhar conheço-te melhor do que tu pensas… Até ao mais pequeno pormenor da tua maneira de andar quando estás cansado. A maneira como brincas com o teu cabelo quando tens sono…

         Ri incomodado… Mas este incómodo era bom. Toda a gente gosta de saber que é amado.

         – Olha bem para mim: não sou bonito, não tenho dinheiro, tenho uma profissão ingrata, tenho vícios e amo a minha total liberdade…

         – Para com isso!…

         – Amiga tu apenas estás deslumbrada. Todas essas coisas que dizes que gostas em mim, são coisas que eu mostro quase como uma máscara. É aquilo que eu quero que vejam. Tu não conheces os meus pesadelos nem os meus medos… Ninguém conhece…

         A minha presença e o meu saber são defesas. O respeito que as pessoas têm por mim, muitas vezes é medo… Acredita tu não queres ninguém como eu.

         – Isso sou eu que tenho que avaliar.

         Mais uma vez o silêncio caiu sobre a mesa. Olhei para a praça e ouvi o som dos carros e dos pássaros nas árvores. O “Cartola” e a “Praça da República” faziam-me lembrar tempos antigos, sentimentos e conversas muito semelhantes a esta…

         – Mas porque é que tens que ser assim? – disse quebrando o silêncio com lágrimas a aparecer nos seus olhos cor de amêndoas – porque é que tens de afastar os que se tentam aproximar de ti.

         – Isso é o que te tento dizer. Eu não interesso a ninguém… Tenho tendência para tornar a vida das pessoas num pesadelo…

         – Pára com isso!… Não sejas parvo! Pára com essas coisas. Vive a tua vida e deixa as pessoas vive-la contigo. Deixa-te de merdas…

         O choro quase se soltou, mas as lágrimas saíram dos seus olhos mesmo sem ela querer. Olhou para mim e tentou falar, mas a voz não se ouviu. Parou. Deu-me um longo beijo na face e levantou-se para que eu não a visse chorar…

Publicado por Gato em 02:07:18 | Link | Comentários (6)

Sábado, Abril 18, 2009

Manifesto de um Enfermeiro

Mais uma vez a revolta, a desilusão e a frustração se unem para falar e mostrar o estado da Profissão que me escolheu, e do meu País até.

Partilho então algumas situações:

Um certo dia, num turno de Emergência, fui chamado para socorrer um jovem que não se sentiu bem durante um jogo de Futebol. Fomos para o local, e de facto socorri um jovem de 36 anos que não se sentia bem. Estava perfeitamente consciente, mas muito angustiado. Tentámos saber o que se passava enquanto o levávamos para a ambulância, mas segundos depois de lá chegarmos o jovem fez Paragem Cárdio-Respiratória. Estivemos (equipa de socorro com equipa da VMER) cerca de 1,5 horas a tentar reanimá-lo, sem sucesso, tendo morrido pouco depois de chegarmos ao hospital.

Soube ainda nesse dia que tinha esposa e dois filhos pequenos. Conheci nesse dia também a esposa, e soube que tínhamos amigos
em comum. Tive que fugir para não chorar com eles…


 

Em vários outros dias (quase todas as semanas) vi entrar no meu serviço alguns jovens (20, 30 e 40 anos), cheios de vida e aparentemente sem problema nenhum. Conheci toda a família de cada um… Vi-os sofrer, piorar e agonizar hora após hora durante dias a fio, até que por fim morreram, muitas vezes (demasiadas mesmo) numa agonia humanamente impossível de controlar. Sozinhos por vezes, por serem já um “fardo” impossível de suportar pela família.

 

Com este texto pretendo 2 coisas: primeiro agradecer a todos os que lutam e carregam nas suas costas o peso do sofrimento dos outros, ajudando-se mutuamente para não desesperar. Esses sim são heróis…

Depois serve também para expressar a minha profunda tristeza em por Enfermeiro. Foi a profissão que escolhi, e pela qual luto e pretendo lutar sempre. No entanto é das profissões mais desprezadas pela população, pelos gestores do País, e mesmo por nós profissionais.

Tenho pouco tempo nesta profissão, mas estou farto e cada vez mais triste. Não estou farto do meu trabalho. Estou farto do que nos fazem…

Estou farto de trabalhar horas a mais que nunca me serão pagas, farto de ter excesso de trabalho em todos os turnos, de deixar doentes mal cuidados porque não é possível melhor, farto de não ter condições para trabalhar e dar conforto a quem precisa…

Estou farto de ser visto como um inimigo e um criado, só por ser Enfermeiro…

Estou farto de ser mal pago, vendo o trabalho e a responsabilidade que tenho…

Mas acima de tudo estou farto dos hipócritas que se dizem dirigentes da minha Profissão; das greves absurdas junto ao Fim-de-Semana, em que faço tudo igual; da falta de diálogo entre esses parasitas e os profissionais que de facto trabalham…

 

Sei que este texto vai ser lido por muito pouca gente, e sei que poderei até ter problemas se alguns idiotas lerem isto, mas faço um apelo a todos aqueles que o possam ler (principalmente aos meus irmãos de Profissão):

Revoltem-se…

Revoltem-se todos juntos nas equipas. Façam pressão sobre os chefes (se puderem…), e com eles façam pressão cada vez mais acima…

SEJAM UNIDOS.

 

Se calhar, se alguns grupos dentro de algumas instituições se unirem teremos a população connosco, e quem manda vai-nos ouvir… Temos exemplos disso até…

Vamo-nos deixar de merdas, deixar de lado as greves feitas só porque sim, e vamos primeiro mostrar ás pessoas que de facto somos imprescindíveis, que fazemos falta nas instituições… vamos deixar de ser os “maus da fita” e mostrar o nosso valor.

Publicado por Gato em 23:17:07 | Link | Comentários (4)